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Antes do Adeus

Nem toda história de amor termina em permanência. Algumas terminam em despedidas, silêncios, caminhos diferentes e na difícil tarefa de aceitar que querer muito não é suficiente para fazer uma relação continuar. E, talvez uma das partes mais dolorosas seja essa: reconhecer que algo pode ter sido bonito, intenso e verdadeiro e ainda assim não ter sido feito para durar. 
Nem todo amor precisa terminar em "para sempre" para ter significado. Algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam aprendizados, memórias e marcas que continuam existindo mesmo depois que a relação chega ao fim. 

E aceitar um fim não significa invalidar o que foi vivido. Significa aprender a respeitar a história sem precisar permanecer preso a ela. Talvez você não precise esquecer o que viveu. Talvez precise apenas aprender a seguir em frente sem transformar o fim em prova de que o amor não valeu a pena.

É por essas e outras que sou exatamente como sou. Amo o amor e a forma de amar. Nunca fui muito amada em minha vida. Mas fui desejada por um retorno, retorno esse porque acredito não fazer barulho quando me vou, só vou. Coincidentemente assisti a este filme no sábado de manhã, pelo youtube. Não o procurei, ele apareceu e eu cliquei. 

Sabe a minha real interpretação para este filme? Estão romantizando a traição. E há uma dor profunda nisso. É doloroso vê-los se consumindo no segredo enquanto existe um elo formal... Mas e se a verdade fosse dita? E se houvesse a coragem de despir a própria alma perante o outro, confessar os passos em falso e colocar as cartas na mesa? E se, mesmo diante do espelho partido, houvesse um pedido sincero para não apagar o que sobrou? Acredito que o desfecho de qualquer história não reside no erro em si, mas no valor de não anular as falhas. A verdadeira nobreza está na honestidade de dar ao outro o direito de escolha, algo que claramente ela negou. Mas também não recebeu; sejamos honestos que ali os dois falharam. Mas ainda assim, se escolheram. Por que? É uma dúvida sincera. Por que? Pelo menos acho que se escolheram, pois ela não chegou ao destino final, já que tentava retornar a sua casa para saber se de fato o esposo ainda estaria ali. E se ele leu a carta? Se os dois se redescobriram e decidiram ficar, se ela contou o que viveu.. nunca saberemos. Alias, quem é Lyle de Atlanta? A amante dos e-mails?!

"Posso deixar a minha opinião? Afinal, o autor nos da esse direito ao terminar o filme da forma que terminou. E se o esposo de Brooke trocasse e-mails com outro homem, em vez de traí-la com uma mulher? 
Ela chegaria em casa e o encontraria com flores brancas, que inicialmente seriam para ela, mas que agora repousavam ao lado da carta de despedida deixada antes de sua ida a Nova York. Numa tentativa frustrada de restaurar o casamento pelas aparências, ele havia comprado aquelas flores como um pedido silencioso de desculpas, tentando consertar o que nem sabia que já estava quebrado. Afinal, Michael ainda não imaginava que Brooke descobrira os e-mails.
Naquele instante, a cena congelou. Brooke não era do tipo de mulher que fazia barulho. Ela o ouviu em silêncio, assim como ele repousou suas dores no colo dela. Mas não havia muito o que resgatar: Michael estava destruído por dentro, incapaz de nomear o que sentia, e Brooke, carente demais de amor para ir embora de imediato. Veio então a confissão: ele estava apaixonado por outro homem. Brooke, por sua vez, só buscava entender como as coisas haviam tomado aquele rumo.
Eles encerraram tudo de maneira madura, honrando o respeito e a história que construíram. Se perdoaram, e ele saiu pela porta da frente, afinal, a casa ainda era dela. E quanto as flores? Bem, eram lindas, mas nunca foram as favoritas de Brooke; ele acabou errando até no último detalhe. E isso não faz de Michael uma pessoa ruim, muito pelo contrário, Brooke ainda o admirava. Sendo assim, ela optou por não expor Michael. E isso diz muito sobre ela. Que apesar da dor, entendeu que violar a intimidade de alguém que esta tentando se consertar seria anular tudo o que de bonito viveram um dia. E então vocês dirão, ela vai atrás de Nick! E não. Ela não vai atrás de Nick Vaughan.
Afinal, no verso daquele bilhete no trem, havia apenas um desenho idiota para fazê-la rir. Nenhum telefone, nenhum endereço, nenhuma forma de reencontro. Ele simplesmente desapareceu no mapa. Anos mais tarde, os caminhos dos dois se cruzariam novamente: ele, um músico famoso, casado, com filhos e prestes a subir ao palco para uma das maiores apresentações de sua vida; e Brooke, uma escritora de sucesso em New York City, a mesma cidade onde, num passado distante, conheceu Nick." –– Agora você sabe a versão final da história de Brooke, ou a minha. Afinal, quem criou esse final para o filme, após a cena do trem, foi eu. Fica aí o questionamento por esse enredo ter me levado para essa perspectiva. Para bom entendedor, meia comparação basta. E para você, qual seria o final de Brooke?

Já me vi em labirintos semelhantes. Conheço o peso de me sentir só mesmo ao lado de alguém, como se a ausência habitasse a mesma mesa. E, ainda assim, escolhi a verdade. Decidi expor minhas feridas e aceitar qualquer sentença que viesse. A reação do outro foi um choque: em vez de condenar o abismo, ele escolheu olhar para a totalidade do que fomos, pesando cada luz antes de julgar a sombra. Diante de tamanha compreensão, uma revolta silenciosa me tomou. Era como se eu precisasse do fim para me libertar, mas meu erro acabou sendo apenas um grão de areia na imensidão do que construímos. Mesmo quando a alma parecia balançar por um encanto distante, por alguém que talvez fosse apenas o reflexo dos meus próprios desejos, um fantasma idealizado, a verdade continuou sendo minha única bússola. Entre acusações de que eu buscava apenas o lado fácil das coisas e a defesa de que só queria ser inteira em minhas vulnerabilidades, restou o peso do real. Ponderei todos os motivos para partir. Desenhei as linhas da despedida e argumentei com a razão. No entanto, entre o impulso de ir embora e a força que me puxava de volta, o tempo suspendeu o veredito. Ficamos ali, no limiar entre o que se quebra e o que se reescreve no silêncio. Por isso, não olhem para este filme achando bonito o encanto do segredo. Bonito é ter a coragem de desnudarem-se as falhas, olhar nos olhos e permitir que a verdade trace o caminho, seja ele a permanência ou o adeus. Não romantizem a traição. E o filme que assisti em questão, foi este: Antes do adeus. Tem disponível no YouTube e é bloqueado para compartilhar por aqui, por isso do link. Ah! Encontrei uma parte da trilha sonora. Do filme? Não, mas dê o play! 

"Há despedidas que nunca acontecem de fato,
e personagens que nunca nos deixam. Eu encerro
essa reflexão sabendo que, no silêncio dessa história,
eu fui um pouco de Brooke."


Envia-me girassóis enquanto tenho vida para sentir-me,
ainda que por um instante, um pouco sol. Na carta anônima:
"Envio-te esses girassóis para fazer-te sentir sol,
mesmo que por um instante, minha pequena estrela cadente."

Publicação em: 2026

Querida Anne.

Eu nunca gostei que me chamassem de "querida" até anteontem. De repente, soou diferente de tudo o que eu já tinha ouvido. Houve um acolhimento sincero na forma como a palavra foi dita.

Hoje, inevitavelmente devido ao falecimento de Glória Menezes que ocorreu durante essa semana, ao acordar, vi um vídeo da mesma juntamente de Tarcísio Meira, falando sobre a falta que fazem um ao outro, cujo o mesmo voltou a repercutir após o ocorrido. Primeiramente que eles estejam em um lugar melhor.

Bom, "Querida amada" era como ele a chamava; algo que eu não sabia ou talvez nunca tivesse reparado. Ela, por sua vez, o chamava de "amor meu", escancarando o quanto se pertenciam. 

Se você realmente já me amou, a única coisa que te peço agora é que se cuide, que fique bem e em segurança. Te amar me dá esse direito. Não quero buscar outra estrela no céu, já tenho tantas, o que eu quero é te amar aqui e agora. Vou continuar te amando através das minhas palavras, posso? Enquanto você pode me amar fazendo as melhores escolhas para si mesmo. Meu ser humano particular.

E agora fica um recorte do que foi o amor desses dois e que bom que eles se encontraram. Acredito que eles estejam em um lugar muito melhor, mas o foco, no fim das contas, é o amor de verdade. E obrigada por me trazer um novo significado para a palavra "querida". Certamente passarei a sentir essa palavra de modo diferente, a partir do momento presente.

Concordo com as falas de Tarcísio ditas em vida, as pessoas precisam se amar, de um jeito ou de outro e eu o amo em palavras. Antes dizia que era em silêncio, mas vamos reformular isso aqui. Eu o amo em palavras, querido Beeh... Palavras escritas em meu profundo silêncio. E posso te contar um segredo? Suas escritas são uma das formas mais lindas de eu me sentir vista, e não estou falando de quebrar barreiras. Falo de um amor correspondido, seguro e maduro, que existe no aconchego de nossas escritas. Promete voltar sempre que precisar. Para todo sempre.


Publicação em: 2026

Amo-te em silêncio.

E isto é o máximo de "ser amado em voz alta" que consigo lhe oferecer. Queria poder ir além, o "inesquecível" já me parece pouco para tudo o que sinto. Nunca pensei que transbordaria tantas palavras para alguém como transbordo para ti. É como se eu precisasse provar que o amor genuíno existe, um abrigo seguro para quando os dias pesarem.

Você é alguém tão singular que me desperta um desejo incontrolável de te guardar do mundo, de te provar que a vida vale a pena... Afinal, em algum canto deste planeta, existe alguém que daria o mundo só pelo privilégio do seu abraço. Por isso, por favor, proteja-se. Cuide-se onde quer que a vida te leve. Mas, se porventura o mundo te quebrar e estiver ao meu alcance juntar os cacos, saiba que estarei exatamente aqui. Playlist nostálgica da semana com textinn )


Publicação em: 2026

O tempo certo do encontro


Estava aqui pensando em algumas coisas e gostaria de compartilhar. Eu não queria ter o conhecido antes. Se fôssemos outros no passado, talvez a gente se desencontrasse; antes, eu simplesmente não seria sua. A vida teceu o tempo exato, o segundo milimetricamente predestinado para que os nossos caminhos se cruzassem.

Olho ao redor e vejo tantas pessoas rebeladas com a própria jornada, buscando justificativas com Deus ou se medindo pela moldura perfeita das redes sociais. Mas a vida alheia é só um recorte, nunca a história inteira. Houve uma época em que me deixei afetar por palavras duras, disseram que eu brincava demais, que ninguém me quereria sem um corpo dentro dos padrões ou com o cabelo livre demais. Por um tempo, vesti a armadura. Assumi uma postura forte, defensiva, tendo que me tornar o meu próprio homem para sobreviver ao caos do mundo. Até o dia em que olhei no espelho e entendi que não dá para ser tratada com delicadeza quando a gente se recusa a soltar as armas.


A verdade, do fundo da minha alma, é que eu nasci para amar. Meu negócio é a leveza, a entrega, a loucura bonita de se doar sem cálculo. A melhor versão de mim não está nos bastidores ensaiados, mas no dia a dia cru: caminhando a pé, tomando banho de chuva no meio do caminho, fazendo graça descabelada e de chinelo. Sem excessos, sem simetria imposta pelo olhar de quem prefere contornos a olhar nos olhos.


A vida é bonita exatamente por isso: ela não é um contrato engessado, é o fato presente. Somos nós que escrevemos a nossa própria história. E, no meio dessa travessia, meu único desejo sincero é poder partilhar a leveza desses dias caóticos com alguém que escolha olhar para a minha essência e reconhecer que, na minha simplicidade, existe um universo inteiro pronto para amar.


É curioso como a vida na internet se acostumou a ser apenas um recorte perfeito de quem somos. Olhe para a minha primeira foto, com a maquiagem impecável e a luz do sol encontrando o ângulo exato para me transformar em uma boneca dentro dos padrões exigidos. É linda, sim, mas é um frame estático, uma pose ensaiada. A verdade é que a minha foto perfeita, aquela que verdadeiramente traduz a minha essência, é essa em que estou na rua, descabelada e rindo espontaneamente, sendo apenas eu mesma.

Quero te agradecer por me fazer sentir amada, ainda que habite em mim aquele receio silencioso de que, pessoalmente, seu olhar pudesse preferir contornos mais esbeltos ou uma feminilidade mais pronta. Talvez essa minha dúvida venha de ter crescido no interior, com o pé na terra, ou do simples fato de nunca ter tido a sorte de ser desejada com a intensidade que sempre sonhei. Mas reconheço o poder avassalador que você teve sobre mim. Nunca havia experimentado nada parecido. Foi a vulnerabilidade ao seu lado que me fez sentir, de forma quase cômica, profundamente amada e claramente rejeitada no mesmo instante. Você se assustou quando percebi, mas eu apenas me coloquei no meu lugar, sem nunca deixar de te amar.

E isso permanece. A rede social é só um recorte perfeito, e você foi o meu recorte mais bonito. Dane-se não ter sido exatamente o que o mundo desenhou: eu não olhei para a sua superfície, eu senti cada batida do seu coração. Mesmo que parte disso tenha sido uma ilusão, foi bom ser amada. Foi a história mais bonita que o destino esqueceu de continuar escrevendo. Guardo você como se o meu grande amor tivesse partido para a guerra e nos despedíssemos ali, deixando alguém que ainda me visita nos sonhos todas as noites. Sinto que essa presença sutil me acompanhará pelo resto da vida, marcada desde aquele outono, no dia 7 de abril de 2024.

Ainda te escrevo todas as noites no meu velho e amado diário. Não deveria? Independente da resposta, a verdade é que não escrevo por saudade do que fomos, e sim por gratidão ao que senti. No fundo, esse diário não é sobre você; é sobre a capacidade bonita que descobri em mim de amar sem medida, de alma limpa e coração aberto. E assim, em cada página, eu me devolvo a mim mesma.

Pedi com tanta fé por um amor de redenção que aprendi a amar à distância e a me sentir verdadeiramente amada, mesmo nas circunstâncias em que nos encontramos. Pode-se dizer que encontrei o meu amor de redenção.

Com amor, da sua passarinha. Ou melhor, Caju. Eu juro..


Publicação em: 2026

A arte de ser abrigo em silêncio

Para todas as tempestades que vierem, a certeza é uma só: você não está só... Existem notícias que chegam sem alarde, mas têm o poder de transformar a noite mais inquieta no momento mais calmo do mês. É uma sensação bonita e rara: aquela em que o peito finalmente sossega ao entender que, apesar de todo o barulho que o mundo faz lá fora, o que realmente importa permanece de pé. 

Com o tempo, a gente aprende que a reciprocidade nem sempre precisa de caminhos escancarados. Ela vive no pensamento atento, na prece discreta por dias melhores e no desejo sincero de ver o outro bem — pelos recomeços, pelas vidas e pela felicidade que se reconstrói depois de qualquer vento forte. 

O cuidado não depende da proximidade física ou da presença constante. Ele se faz presente na intenção firme e silenciosa de ser apoio, mesmo que de forma indireta. Para toda tempestade que passa, a maior certeza que fica é a de que ninguém precisa atravessar os estragos sozinho. Há sempre um carinho que atravessa distâncias, atento e pronto para acolher — no silêncio, no pensamento e onde mais for preciso. 

Agradeço por me acalmar, aflita estava. Agora irei dormir em paz. 😌 Existem barreiras que, uma vez ultrapassadas, revelam algo raro. Não é o tipo de conexão que se encontra em qualquer esquina ou em qualquer dia; é algo genuíno, que o tempo e a distância não desgastam. Por isso, fica aqui a promessa discreta, porém inabalável: para além do barulho do mundo e para além das tempestades, o apoio é real. E onde houver essa verdade, haverá sempre um lugar seguro para recostar a cabeça e recomeçar.


Entre todas as linhas que já escrevi, guardar você na intenção e no afeto
continua sendo o meu capítulo favorito. Com carinho, Caju. Sua autora de livros de romance.

Publicação em: 2026

A tempestade do dia 24 de julho de 2026

Existem dias em que o céu parece desabar em determinado ponto do mapa, e o vento sopra forte demais. Nesses momentos, em silêncio e sem pedir licença, meu pensamento viaja até aí. Que a tempestade passe rápido, que a casa permaneça firme e que o cuidado alcance você e os seus. Não preciso de notícias diretas para sentir a urgência de desejar o bem. Diante de tudo o que desabou na cidade hoje, a única coisa que importa é saber que quem amamos encontrou refúgio. Que o dia termine em silêncio e segurança.


Prometi a mim mesma que fecharia essa porta, que não buscaria mais por sinais e que aquela seria a última dose de você. Mas a verdade é que certos laços não respeitam as nossas próprias promessas. Nesses dias em que o mundo parece desabar aí fora, meu silêncio se enche de orações. Eu rezo pela sua vida em segredo, todas as noites, como quem pede proteção para algo que ainda lhe é sagrado. Há uma aflição bonita e dolorosa em cuidar de longe — nessa impotência de não poder estar perto para estender a mão, mas no desejo profundo de que a tempestade jamais te alcance. Com carinho, Caju.

Publicação em: 2026

O segredo das minhas estações

Dizem que o vidro calejado se torna opaco, mas eu escolhi continuar transparente. Todo mundo que se aproximou levou um pedaço de mim; na família, no amor, nos encontros da vida. O mundo esperava que eu me tornasse espinho, mas insisto em florescer. Sou especialista em ensinar caminhos às crianças e em tecer abrigos para os outros, mas confesso: sou péssima em ler a maldade. No fundo, prefiro acreditar que aqueles que não foram leais não agiram por crueldade, mas apenas habitavam um plano espiritual diferente... onde não conseguem ver que a vida acontece no sopro do aqui e do agora. 


Minha trajetória nunca foi uma linha reta; foi um mosaico de silêncios e renascimentos. Aos dez, descobri que o mundo dos homens esconde sombras que uma criança não deveria experenciar. Aos quatorze, vi a partida cruzar o oceano. Aos dezoito, assisti ao meu nome ser envolto em ruínas. Aos dezenove, vi o espelho se esquecer de quem eu era. E aos vinte, vi um castelo inteiro ser roubado dos meus olhos. Mas foi também aos vinte que segurei o mistério da despedida nos meus braços e fechei os olhos do meu pai pela última vez, entregando-o ao mesmo vento que, um ano depois, tentaria roubar a minha própria saúde no segredo de um diagnóstico que guardei só para mim.

O tempo nunca diminuiu o passo. Aos vinte e nove, a vida me entregou a fragilidade mais dolorosa e sagrada: segurei meu filho, um anjo que não chegou a respirar o mundo, mas que me ensinou, em segundos, o peso exato da eternidade. Logo depois, aos trinta, os alicerces do que eu chamava de lar afundaram. E, diante das ruínas, eu apenas continuei o meu caminhar.

Tenho o hábito bonito de acordar e tatear o amanhecer como se ele guardasse o meu último suspiro. Por isso, quando me perguntam e eu respondo que está tudo bem, não há mentira. Habitar os labirintos da minha mente pode ser um exercício complexo, mas a minha alma repousa em paz. O amanhã sempre foi o mais bonito dos mistérios. Não se trata de um diagnóstico ou da tempestade lá fora; trata-se do tempo que nos resta. O que faremos com ele? A partida é a nossa única certeza estática; o viver é que é a grande e maravilhosa incerteza. Acho curioso quem mede a existência pelo luxo, ou quem repete "seja feita a vossa vontade", mas recua no primeiro trovão.

O mundo está cheio de ruídos, mas o que o vento te sussurra quando te toca a pele? É simples ser grato quando o roteiro não falha. Mas eu, calejada de humanidade, aprendi que não nos faltam garantias, nos sobra impermanência. Às vezes, o desapegar é o jeito mais elegante que o universo encontra para nos fazer transbordar. Somos apenas passagem. E eu sigo como uma passageira de malas prontas e coração leve, porque, acima de tudo... que se cumpra a vontade maior.

Por fim, quando você me pede perdão, antecipando as dores que julga poder me causar, percebo o eco vazio dessas palavras. Quem já atravessou tempestades não teme o vento. Sei que esse pedido não nasce da alma, mas sim do orgulho. Ainda assim, se você ler atentamente as entrelinhas de tudo o que fomos, notará que em momento algum eu cogitei te expor ao mundo. A minha dignidade nunca dependeu da sua ausência. Eu escolhi o silêncio protetor simplesmente porque, um dia, eu verdadeiramente te amei. E o amor, mesmo quando vira memória, merece o respeito do sagrado.

Publicação em: 2026

Inesquecível Beeh!


Esse é o início do primeiro texto que escrevi aqui no blog, a muitos anos atrás, e que agora também ganha voz em vídeo. Queria que você soubesse, embora o silêncio e a distância indicam que seus passos não cruzarão mais as minhas páginas, afinal, eu já não busco o seu caminho e ficou subentendido que você também não.

Li cada um dos seus comentários hoje, só hoje; e o peito finalmente suspirou: já passou. Como te disse antes, o sentimento não deixa de existir de uma hora para outra; nós apenas o recolocamos em prateleiras mais altas, em lugares melhores. Mas o peso já passou. O que aconteceu tinha que acontecer, e fico feliz que tenha se explicado, mesmo que de maneira tardia ou do seu próprio jeito. Eu ainda amei te conhecer.

E, mais do que tudo, eu queria te pedir desculpas. Desculpas por, em algum momento, ter tentado moldar a realidade ao tamanho dos meus sonhos, exigindo de você uma maturidade ou uma transparência que você simplesmente não podia dar. Peço desculpas por ter me demorado tanto tempo em um lugar onde eu claramente já não cabia. 

Mas quer saber? Está tudo bem termos passado pelo que passamos. Não guardo rancor das nossas linhas tortas. Cada tropeço, cada palavra não dita e cada ilusão desfeita foram necessários para que eu me reencontrasse. A gente precisava desse caos para entender o valor da nossa própria paz.

O que foi bonito fica guardado em uma caixinha de memórias que já não me machuca mais. E o que doeu virou página virada, virou texto, virou arte. Aceito o nosso fim porque sei que ele foi o único recomeço possível para mim.

E é óbvio que o respeito permanece. Você foi gentil, foi humano, e por isso o meu silêncio sempre esteve garantido. O que me desarmou não foi descobrir a verdade; foi ver você ensaiar um retorno quando os seus alicerces já pertenciam a outro lugar. Isso me pegou de surpresa. Mas não me cabe ditar as regras do seu jogo, até porque o que vivemos foi bonito e real o suficiente para me salvar no momento em que eu mais precisava de abrigo.

Você me ajudou, e nego a mim mesma o direito de esquecer. O que senti por você cruzou caminhos que eu nunca havia percorrido antes, e se o tempo nos ensina a amar, eu me permiti amar cada detalhe teu. Mas o ponto final já foi desenhado. Não haverá buscas, não haverá acessos. Fica o respeito, o silêncio e a distância bonita de quem aprendeu a te guardar no passado.

Sobre o que você disse sobre a possibilidade de nos expor... confesso que, por muito tempo, esse foi o meu maior desejo. Mas que partisse de você, pois eu não teria tamanha coragem, mas estava pronta, pra pegar em sua mão e assumir toda a responsabilidade com as consequências de nossas ações. Loucura, não é? Sentir a urgência de viver um romance da forma mais pura e intensa, como nunca vivi antes, ao lado de alguém com quem me conectei logo de cara. Mas, como bem sabemos, nós escolhemos nos aventurar com os pés firmes no chão, cientes de cada abismo. Eu amo escrever, mesmo que não haja ninguém para ler. E amo essa parte da vida em que estive com você. Com carinho, Caju.

Publicação em: 2026

Oiiê, eu sou a Caju! Capítulo do dia..



Um parêntese: O blog, os códigos e as voltas que a vida dá

É engraçado como a gente muda, né? Faz muuuuito tempo que não compartilho músicas por aqui. Hoje eu senti falta dessa nossa troca sonora. Aliás, nem tenho mais tanto domínio com HTML e código como já tive, e embora eu morra de vontade de repaginar o layout, sei que, por enquanto, vou deixar como está. Mas, para quem ainda resiste e consome blogs (o que eu acho um charme, mesmo sendo algo raro hoje em dia), deixo aqui uma trilha para acompanhar esse post. Só dê o play! >-<

Falando em tecnologia, a vida deu voltas. Mesmo enferrujada com os códigos do Blogger, me aventurei e criei um site do zero! Configurei vendas, anexei cadastros e enfrentei uns códigos que, para mim, pareciam bichos-papões. O site foi ao ar, cresceu e completou um ano de vida.

Mas, sendo bem honesta, decidi cancelar o domínio. Descobri que tenho uma facilidade imensa em criar materiais pedagógicos para os meus alunos, mas organizar as publicações e gerir a loja tomava um tempo que eu não tinha mais para dar. Fiz um bom dinheirinho, aprendi o que precisava, mas entendi que este ano o meu foco é outro: priorizar o meu trabalho na educação e, principalmente, cuidar mais de mim.


Sobre o capítulo do dia?
Tentei despistar quem não tem o hábito da leitura rsrs´
se chegou até aqui, eu falhei miseravelmente.

Então como eu estava dizendo... o capítulo do dia. Sigo apaixonada por alguém que, racionalmente, eu sei que não deveria estar. E esse amor, que era pra ser leve, se transformou num tormento. A dor de querer algo que não se pode ter, a dificuldade de deixar ir... é real, é forte e, às vezes, parece que vai me engolir.

Mas aqui entra a minha escolha. Eu não vou, eu não quero e eu não aceito ficar remoendo esse sentimento até me afogar nele. Eu decidi que, se a minha mente está em tormento, o meu corpo vai entrar em ação. É o meu reergo silencioso. E é assim que deveria ser.

Não busco o esquecimento, até porque apagar alguém da nossa história é uma ilusão que só nos distancia de quem nos tornamos. Meu objetivo, hoje, é outro: trata-se de uma reorganização interna. Quero deslocar esse sentimento do lugar de ferida, de luto, de um peso que me consome, para um lugar de memória. Pretendo acomodá-lo em um recanto seguro do coração, onde o que reste seja apenas o brilho do que foi vivido, despido da urgência e da dor do que não pode ser. E como fazer isso? Para mim, a resposta é o movimento.

É na ação que reencontro meu eixo. Quando meu corpo está ocupado, minha mente finalmente ganha uma trégua desse ciclo vicioso. Recuso-me a ser refém do que sinto, especialmente agora, durante as férias. Curiosamente, o sossego, que deveria ser um refúgio, tem sido meu maior desafio, porque a falta de movimento me deixa à mercê dos pensamentos. E, ultimamente, esses pensamentos têm um nome e um dono, ocupando cada milésimo de segundo do meu relógio. Preciso me mover, preciso de rotina, para transformar esse tormento em um silêncio que eu consiga suportar.

Eu estou me reerguendo. Sozinha, no meu tempo, armada apenas com o que tenho: um sorriso no espelho, o frescor de uma fruta, o ritmo de uma caminhada pela cidade. E, se sou honesta, sinto falta de trazer essa amizade para o meu cotidiano. Sinto falta da troca, da leveza e da dinâmica única que criávamos a cada caractere trocado. Mas sei o campo minado que encontraríamos se insistíssemos em ser apenas amigos. Parte de mim daria pulos de alegria só com a possibilidade, mas a outra parte, a que precisa se salvar , sabe que não podemos mais ser nada. Nem amigos.


tchau! 😙
Publicação em: 2026

Querida Elisabeth


A verdade não veio como uma revelação divina, mas como um clique, um pequeno movimento de dedos que eu nem queria ter feito. O meu inconsciente, esse vigia silencioso que não se deixa enganar, insistia: "procure". E, quando cedi à curiosidade, o que encontrei não foi um monstro, foi um espelho.

Descobri que habitamos os mesmos espaços digitais. Seguimos as mesmas contas, respiramos o mesmo conteúdo, temos as mesmas referências. Olhando para aquilo, uma conclusão me atingiu com a força de um soco: em qualquer outra configuração desta vida, sob qualquer outro roteiro que não fosse mediado pela omissão dele, nós poderíamos ter sido amigas.

É insano pensar nisso. Ela não sabe quem eu sou, e talvez nunca saiba. Farei de tudo para que não saiba. Por proteção, carinho e conforto, pois, como mulher, eu diria que gostaria de saber se algo assim acontecesse comigo; mas sabe a verdade? Eu sou calejada, e é por isso que tudo sofro e tudo perdoo. Como não posso dizer o mesmo dela, que me parece uma boneca, meiga e gentil, nunca quis fazer parte de uma história que machucasse outrem. Mas há verdades que fazem melhor se guardadas a sete chaves. Deixar ela viver uma vida que, por meses, imaginei com ele... mas ele escolheu nos manter em prateleiras separadas para que as peças nunca se encontrassem. Eu não sinto ódio dela; pelo contrário, sinto uma estranha familiaridade. Reconheço o gosto dela, a sensibilidade dela, porque são as mesmas coisas que ele, ironicamente, dizia admirar em mim. Estou incrédula até agora pela familiaridade em seguirmos as mesmas contas: de maquiagem, estudos, enfim.

| talvez nessa parte eu tenha exagerado, pois notei que você demonstra gostar um pouco mais de marcas de luxo do que eu; mas não deixamos de nos conectar; que louco.

Ele foi o único ponto de intersecção entre duas mulheres que, sem saber, compartilhavam um mundo. Hoje, encerro o assunto com ele porque entendi a mecânica do jogo. Mas fica, aqui, o registro para o meu próprio coração: não nos conhecemos, mas a vida nos colocou tão próximas que chega a ser poético e trágico que o elo que nos unia tenha sido, justamente, o segredo.

Que ela siga sendo a mulher que ele escolheu, e que eu siga sendo a mulher que finalmente escolheu a si mesma, livre da ilusão de que o nosso encontro era, de fato, um encontro. A vida é muito mais do que os filtros de um perfil, e a minha verdade, finalmente, não precisa mais ser escondida de ninguém.

Querida Elizabeth, escrevo este registro como quem escreve para uma confidente que o destino, ironicamente, ocultou de mim. Chamo-te assim porque, na minha mente, esse nome carrega a nobreza e a resiliência que reconheço em ti, uma verdadeira princesa que, sem saber, dividiu a mesma história, as mesmas esperanças e o mesmo silêncio que eu.

Elizabeth não é o seu nome, mas poderia. Você personifica a elegância de quem escolhe a dignidade acima do conflito, e a força de quem constrói o seu mundo sem precisar destruir o alheio. Talvez, em outro tempo e sob um roteiro onde a verdade não fosse uma estranha, teríamos sido as melhores amigas que a vida poderia ter unido. Mas, por enquanto, guardo essa percepção como um segredo meu.

Publicação em: 2026

Just.

 Nada em você foi covarde. Até as suas desistências carregam a coragem de escolher.


Publicação em: 2026

.. a última dose de você.

O personagem principal da minha própria história ressurgiu. Aconteceu! Não nos esbarramos pessoalmente como eu havia projetado em minha mente, você com a sua família, eu com a minha, como dois estranhos que, tendo se amado, decidiram que o melhor era não arriscar. Mas a vida tem dessas ironias: você deu espaço para alguém te amar da forma que eu não pude, e da forma que a nossa realidade não comportou. Acontece que ela chegou muito antes, ela já estava lá, só eu fui inteiramente verdadeira nessa história, e digo mais; eu continuo sendo ridiculamente ridícula. 

O esbarrão se tornou inevitável, ainda que apenas por meio de telas e distâncias. E o que aconteceu? O que dói? As costas. (para não perder meu bom humor mas o assunto é sério) No passado, falávamos sobre nos encontrar novamente e já não nos amarmos mais, como se o tempo fosse um antídoto. Mas o tempo passou e o sentimento ainda insiste em existir, teimoso, mesmo sabendo que não há lugar para ele em nossa rotina.

Dois idiotas que se amaram como acontecia no passado, sem a malícia de querer apenas o corpo ou a atenção um do outro. Ou não. Pois até aqui, eu só posso falar por mim mesma.

Nos apaixonamos por nossas vozes, nossas risadas, nossas cutucadas que só amigos próximos acessariam, ironia dizer isso de um casal que acabara de se conhecer, mesmo que despretensiosamente. Nos permitimos e somos tão idiotas que, na mesma intensidade que sabemos da nossa coragem, sabemos também do nosso medo de errar, de falhar. E se não for real? E se não for verdade? E se não for tudo isso que já tomou conta de mim, do meu pensamento e do meu próprio corpo?

Li um artigo uma vez que dizia que a paixão dura aproximadamente seis meses; passou disso, é amor. Noutro, li que amor não é um sentimento, é uma escolha. Eu escolho o amor. E num texto qualquer que acabei encontrando pela internet, diz que você só sabe se encontrou a pessoa certa se onde estiver escrito amor, puder ser substituído pelo nome dessa pessoa no seguinte contexto:

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não é invejoso, não é vaidoso, nem orgulhoso. O amor não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta." (1 Coríntios 13: 4-7)

Mas agora, vamos pular para a parte que a vida não é contrato, é fato! E o único fato que temos é: iremos morrer. Não sabemos como, nem quando. Algumas pessoas usam dessa informação para fazer coisas ruins, e nós só queríamos nos entrelaçar como sonhamos, no mais sincero sentimento que arde aqui tanto quanto aí. Ou não, pois insisto em frisar que eu falo apenas por mim.

Você pode substituir o meu nome em todos os "amores" desse versículo, porque eu sonho em conhecer teus defeitos e falar olhando em teus olhos. Ok... vamos aprender juntos e vamos passar por isso juntos. É incrível como tudo se encaixa, como tudo o que eu sonhei um dia e o medo de não ser real... como dói. Dói não ser acessível para mim! O nosso amor é diamante raro. E eu sou ridícula de idiota. Um texto explícito pra ti. Beeh!

Mas, para que essa página da história faça sentido, preciso ser honesta: sim, eu busco ser paciente e bondosa. Não sou invejosa, vaidosa ou orgulhosa. Não maltrato, não vivo em função apenas dos meus interesses, não me irrito facilmente e não guardo rancor. Não me alegro com a injustiça, mas me preencho de serenidade ao encontrar a verdade. Eu tudo sofro, tudo creio, tudo espero e tudo suporto. Bem, até certo ponto.

Você disse que leu tudo, mas tenho minhas dúvidas. Existe um texto cujo título é o seu próprio nome, e você não se deu ao trabalho de se atentar. Não o julgo; eu provavelmente me aventuraria da mesma forma, se não soubesse que... essa história foi meticulosamente criada na minha própria cabeça. Eu inventei uma versão melhor de ti mesmo. E o mais curioso? Você pode, e deve, escolher viver essa versão. Se não for por você, que seja por eles. 

Repito, em voz alta e com toda a certeza: você é um rapaz de muita sorte. Ela é linda.. e eu.. eu sou passarinha. Uma passarinha vivendo com o pezinho no chão tá.

Mas, escute: não foi por acaso que você me encontrou, e certamente não foi por acaso que eu fiz por você coisas que nunca fiz por mais ninguém. Alguém precisava ser usada nessa história, e essa pessoa fui eu. No fundo, não me irrito com isso, porque entendi que você chegou até mim por um motivo específico.

Se isso aconteceu com mais alguém, que você pare. Eu perdoo toda a resistência em me falar o que realmente você vivia, ainda serei um amorzinho toda vez que você me procurar, mas pare. Eu serei a sua ponte para que tudo se alinhe, mesmo com o meu peito queimando de vontade de deixar a razão de lado e te aceitar como a minha aventura mais bonita e mais gostosa. É que foi sério demais o que aconteceu aqui. Te perdoo, ainda te amo, de forma honesta, pura e verdadeira, mas pare. Talvez a passarinha aqui possa ser o seu anjo da guarda, não sei. Mas te amo.

Como se eu fosse o seu antídoto. Talvez eu seja mesmo, e você já tenha tomado a dose do seu remédio. Me encontre em uma das prateleiras de uma livraria qualquer; o livro estará lá, autografado para você com versos da nossa própria história. O convite está feito. Pois é somente isso que você terá de mim a partir do momento que o vento me trouxe toda a verdade. Diria que estou sem palavras, mas na real, na real mesmo, são tantas as camadas, tanta coisa para dizer, porque no fundo vou considerar que você também foi o meu antídoto. Escrevi chorando, ouvindo Set Free de Noah James. Que eu tenha sido a primeira e a última. Ela merece respeito, na realidade; eles merecem e você sabe muito bem disso.

E eu acabei de tomar a última dose de você. 

Publicação em: 2026

about you

Peço perdão pelas feridas que causei, no tempo em quem eu mesma ainda tentava me encontrar.

Ele chegou como uma primavera: floresceu sem que eu esperasse, numa tarde ensolarada, para me ensinar que as coisas mais lindas, ainda que pequenas, precisam ser vistas, sentidas e amadas exatamente no momento em que existem. O depois... ah, o depois, eu não sei. Hoje eu aprendi a receber amores e dores com a mesma intensidade, mas aprendi também a me proteger, para que o que machuca não me toque nunca mais, pelo menos não tão profundamente a ponto de me perder de mim mesma. A mente precisa ser o equilíbrio em todas as circunstâncias. Muitos se entregam ao que chega, ao fim, ao que não se pode controlar.

Publicação em: 2026

O eco do que não se diz

Ontem, você não foi apenas uma lembrança passageira. Não foi aquele pensamento solto que o vento traz e leva sem esforço. Eu pensei em você com a força de quem desenha cenários, idealizando cada contorno de uma vida que insiste em existir apenas no avesso do agora. Imaginei o peso do seu abraço e a paz que ele passa, enquanto, por dentro, eu lutava contra a vontade quase física de quebrar o silêncio.

Tive a urgência de abrir uma nova conversa, de ouvir sua voz e deixar a razão de lado. Mas as promessas que fiz a mim mesma pesam mais do que qualquer saudade. Existem barreiras que não foram feitas para serem saltadas, e eu aprendi que certas conexões são tão sublimes quanto arriscadas. Estar com você é flutuar em um mar calmo, sabendo que a tempestade está logo ali, sob a superfície à espera de nossos deslizes.

É um jogo de mestre, onde a lição mais difícil é entender que você é o meu destino mais bonito e, ao mesmo tempo, o meu perigo mais doce, Reconheço o seu domínio sobre os meus sentidos, mas escolho o silêncio. Porque te ter por perto é o maior dos privilégios, mas te buscar é o maior dos riscos.

Sigo aqui, guardando o que sinto em um lugar onde o mundo não alcança e onde você se faz eterno. Porque, no fundo, sabemos que a promessa de um último encontro raramente se cumpre. O "nunca" é uma palavra grande demais para nós; por enquanto, prefiro deixar o convite mudo, suspenso no silêncio que você sabe exatamente como quebrar.


Amo-te em silêncio.
Publicação em: 2026

Amo-te em silêncio

Eu não sei quanto tempo ainda me resta. Ninguém sabe. Mas gostaria que você soubesse. Te escrevi algumas vezes. Muitas. Cartas que nunca enviei. Não enviei por respeito: às oportunidades que você me deu, às quais fiz questão de rejeitar porque era nova demais para compreender a dimensão do seu amor por mim; e também por respeito à vida que você construiu sem mim. Vida essa que, de certa forma, me deixa feliz.


Você foi uma das pessoas mais incríveis que já conheci em toda minha vida. E eu queria que soubesse disso antes que eu partisse. No ponto de ônibus, deixei escapar o primeiro "eu te amo". Mas a verdade é que o "eu te amo" de agora é muito mais profundo, mais consciente e carregado de verdades. Ainda assim, jamais me arriscaria a te entregar esta carta, entre todas as outras que já te escrevi. (Isso foi um sonho); E odiei esse sonho!

Imaginei uma cena de filme em que estávamos, cada um, com a sua família. (Na realidade eu sonhei). Mas não quero saber como anda a sua vida. Não irei atrás e não irei atravessar o bloqueio, porque é isso o que eu verdadeiramente desejo. Esse amor genuíno agora é a única coisa que me resta; espero, do fundo do meu coração, que esse meu sonho seja uma realidade, porque o melhor desta vida é a única coisa que desejo a você. Não sei se está com alguém, mas deveria — e deveria, além disso, fazê-la incrivelmente feliz. Isso eu sonhei, e curiosamente eu gostei de te ver com alguém. Mesmo que tenha doido no fundo da minha alma.

Bom, eu... continuarei amando-te em silêncio.

Publicação em: 2025

Voa Lucas, voa.


Tem gente que chega, mas não fica. Chega leve, promete ventania, e de repente vira brisa. Diz que quer, mas não quer tanto assim. Quer o fácil, quer quando lhe sobra tempo e não por todo tempo. Quer quando o silêncio pesa. Mas quem quer de verdade não aparece só quando a saudade aperta.

Eu aprendi que o amor precisa de coragem. Coragem para não fugir quando o sentimento assusta. 

Ele quis minha presença, não a minha alma. Quis o toque, não o laço. E quando percebeu que amar exige entrega, preferiu se esconder atrás de sua própria insignificância. E não que eu fosse diferente disso, pois na verdade - todos somos!

Mas com o passar do tempo e de todas as experiências que eu pássaro livre que sou, me permiti e me permito ter, sei que nem todo mundo nasceu para voar. Alguns se acostumam com a gaiola, com o chão seguro, com medo do vento. E tudo bem. Se cair enquanto voa machuca, (pois eu já cai algumas vezes), eu imagino que perceber tarde demais que nunca voou, possa machucar ainda mais.

Não volte mais em outubro, com carinho.. passarinha.

Publicação em: 2025

Escrevo enquanto transbordo

Eu sempre tive tanta certeza dos meus textos, diferente do que penso sobre o futuro, que é morada de incertezas. Eu só abro o computador e consigo, com a maior facilidade do mundo, escrever para o meu eu do futuro. Mas hoje, exatamente agora; eu estou paralisada.

Escrevo enquanto transbordo

Nessa vida eu costumo firmar que a única certeza que temos, é a da morte; e mesmo assim não sabemos nada a respeito. Somente que um dia, ela irá chegar. Para todo mundo, independente do que você faça para tentar mudar isso. Não existe escapatória.

Por esse motivo eu procuro seguir a minha vida da melhor forma possível, igual aconteceu com a princesa na torre do castelo, que desrespeita a suposta madrasta e vai em busca do novo mundo, tentar entender porque apareciam aqueles luzes no céu, em todo seu aniversário. Ela foi atrás e descobriu. Eu sou igualzinha a ela.


Lá fora tem gente má, tem inveja, dá medo e muito frio na barriga, principalmente se você é a princesa que luta sozinha para tentar descobrir o amor, eu ainda procuro por ele. É difícil, quase que uma missão impossível, porque o mundo real virou um cardápio de vidas perfeitamente perfeitas e ninguém tem mais paciência para o amor.

Por um descuido do destino, conheci o que eu tanto procurava e passei a orar por isso, cada vez mais e com muita fé, porque eu tinha certeza do que eu queria. Hoje eu descobri que eu queria - mais uma vez - sozinha, por algo que é TÃO bonito. O amor. 

Se as pessoas soubessem o que significa o eu te amo para quem esta disposto a se doar por inteiro, não diria com meias verdades sobre esse sentimento tão nobre. Mas tudo bem! Eu também já entendi que no meio do caminho as coisas podem mudar, e está tudo bem. ok!?

Eu sou a pessoa que sempre vai deixar claro, com palavras e gestos, o quão é importante para mim me conhecer de verdade e se despir para que eu também possa conhece-lo. É raro, mostrarmos nossa vulnerabilidade, mas se isso o fizer, terá encontrado o significado real do que é amar alguém. 

Hoje eu parei para raciocinar sobre uma situação em específico e fiquei desconfortável, pela milésima vez, porque eu fui teimosa e deixei o coração falar mais alto. E quando eu disse que estava orando eu falei do mais puro, verdadeiro e sincero dos sentimentos. É isso que Deus espera de mim e eu vou fazer valer a pena. 

É honesto da minha parte ser cuidadosa comigo mesmo. E nobre da minha parte olhar para dentro de mim e respeitar a menina que ainda mora aqui. Por ela eu prometo nunca mais na minha vida pedir pelo mínimo, então eu já sei que por essa minha decisão, ficarei sozinha pelo resto da minha vida. Não quero ninguém pela metade, e não quero ser um quase de alguém. Principalmente de alguém que eu tanto julgo amar.

Publicação em: 2025

O amor que nunca foi

Te escrevo porque falar já não faz sentido. Te guardo porque esquecer seria um crime contra mim mesma. Eu sei que nunca fomos nada além de um acaso, um instante distraído do universo, uma cena de roteiro, sem propósito, sem depois. Mas como se explica o que ficou em mim? Esse peso invisível de um amor que nunca aconteceu, o eco de uma risada que talvez nunca tenha sido para mim, o toque que nunca senti, mas ainda aquece meus dias frios?


Talvez eu tenha te inventado com tanta força, que meu coração acreditou na mentira. Uma mentira que me brilhou os olhos e a alma. Nunca ninguém havia me dito com tanta intensidade que queria ficar, até eu perceber que você nunca esteve. Eu o criei. Te amei no silêncio, te abracei na ausência, te beijei nos espaços entre os meus suspiros. E agora, eu me pergunto: como se esquece algo que nunca existiu? 

É a minha primeira vez vivendo, e eu sempre acreditei que tivesse tudo sob controle. Sempre bati na tecla de que certo é certo, errado é errado. Até que me encontrei no erro com você. Mas como pode?

Percebi o quão vulnerável eu era. E, no fundo, estava tudo bem ser assim às vezes, porque se eu não tivesse me permitido ao menos essa primeira vez na minha vida, eu nunca teria sentido o que era ser amada de maneira tão intensa; mesmo que platônico.

Só que, para ser sincera, eu ainda não sei se foi bom ou ruim ter te conhecido. Você veio tão de repente, me deu tudo que eu sempre quis _ ou quase, porque eu amo flores, tá?! _ e foi embora na mesma velocidade, tão depressa que levou de mim o coração, o ar.. tudo!

Ensaiei algumas palavras, e desistia toda vez que percebia, que a sua decisão foi a melhor que acreditou ser para nós dois, se afastar e me afastar. E eu profundamente concordo, com dor! Mas concordo. Jesus não se orgulharia da forma que fomos nós mesmos. Ou abençoaria? Nunca iremos saber.

Talvez um dia, nos esbarremos em uma esquina qualquer, o tempo congelará, e tudo a nossa volta não fará importância nenhuma, até a ficha cair, você vai estar com seus filhos e sei lá mais quem.. eu vou estar casada, e com os meus gêmeos rs'

Irei respeitar sua escolha, vou me retirar com educação, como se nem o seu nome eu soubesse mais, o que seria uma verdadeira mentira.

Mas também eu sei que essa cena nunca irá se reproduzir, porque apesar de tudo, eu nunca o conheci de verdade, mas que sorte, carrego comigo por ao menos ter me sentido tão especial em tão pouco tempo, então obrigada; você existiu em meus pensamentos e foi a melhor versão de nós dois.

Publicação em: 2025

19 de maio de 2024

Tenho pensado em como as coisas mais bonitas da vida costumam chegar sem fazer barulho. Ele apareceu de repente, como quem não quer nada, dentro de uma sala de jogo que sabe lá Deus o que eu estava fazendo ali, e sem saber; abri uma sala de cinema (O filme da Barbie), e só fiquei estudando enquanto assistia. Eu claramente poderia ter feito isso diretamente do Youtube, então eu não sei o que o destino esta querendo me revelar, só sei que estou quebrada por dentro.


É engraçado e até um pouco assustador a facilidade com que a gente se conectou. Sabe quando você conversa com alguém e parece que a alma ganha um respiro? É exatamente assim. Fico me pegando sorrindo para o celular, repassando nossas conversas e me perguntando como passei tanto tempo sem saber que você existia. Mas eu estou quebrada por dentro.

Não sei bem para onde esse caminho vai me levar, mas não quero racionalizar demais agora. É como se eu só quisesse aproveitar a leveza de o conhecer, e partilhar o meu dia com ele. Se isso for um sonho ou começo de algo maior, que seja. Mas repito, estou quebrada por dentro e vou me concertar, mesmo curiosamente tendo a sensação que não nos conhecemos por acaso, sabe quando a barriga gela e o coração acelera, é ele.

Não estava o procurando, então como pode? A razão me pede calma. Que eu possa concertar os meus próprios cacos sozinha antes de me aventurar, justo eu que sempre me jogo de cabeça. Esta sendo um mix de sentimentos, mas eu serei cautelosa. Se é de cuidado que um verdadeiro amor necessita, é assim que eu farei com esse sentimento que nasceu em mim. Afinal, estou passando por um processo de divórcio e a minha fragilidade pode estar me sabotando.

Será que ele esta sendo só mais um? Será que ele é ele? São tantos os questionamentos. Só consigo responder que é diferente de tudo o que já experenciei. Se for um fake eu ficarei arrasadíssima, mas vou comprar uma pizza e rir de mim mesma no final.

Publicação em: 2024