POST 1

POST 1
POST 1

INSTAGRAM

INSTAGRAM
INSTAGRAM

YOUTUBE

YOUTUBE
YOUTUBE

O tempo certo do encontro


(Respondi o comentário na outra publicação). Estava aqui pensando em algumas coisas e gostaria de compartilhar. Eu não queria ter o conhecido antes. Se fôssemos outros no passado, talvez a gente se desencontrasse; antes, eu simplesmente não seria sua. A vida teceu o tempo exato, o segundo milimetricamente predestinado para que os nossos caminhos se cruzassem.

Olho ao redor e vejo tantas pessoas rebeladas com a própria jornada, buscando justificativas com Deus ou se medindo pela moldura perfeita das redes sociais. Mas a vida alheia é só um recorte, nunca a história inteira. Houve uma época em que me deixei afetar por palavras duras, disseram que eu brincava demais, que ninguém me quereria sem um corpo dentro dos padrões ou com o cabelo livre demais. Por um tempo, vesti a armadura. Assumi uma postura forte, defensiva, tendo que me tornar o meu próprio homem para sobreviver ao caos do mundo. Até o dia em que olhei no espelho e entendi que não dá para ser tratada com delicadeza quando a gente se recusa a soltar as armas.


A verdade, do fundo da minha alma, é que eu nasci para amar. Meu negócio é a leveza, a entrega, a loucura bonita de se doar sem cálculo. A melhor versão de mim não está nos bastidores ensaiados, mas no dia a dia cru: caminhando a pé, tomando banho de chuva no meio do caminho, fazendo graça descabelada e de chinelo. Sem excessos, sem simetria imposta pelo olhar de quem prefere contornos a olhar nos olhos.


A vida é bonita exatamente por isso: ela não é um contrato engessado, é o fato presente. Somos nós que escrevemos a nossa própria história. E, no meio dessa travessia, meu único desejo sincero é poder partilhar a leveza desses dias caóticos com alguém que escolha olhar para a minha essência e reconhecer que, na minha simplicidade, existe um universo inteiro pronto para amar.


É curioso como a vida na internet se acostumou a ser apenas um recorte perfeito de quem somos. Olhe para a minha primeira foto, com a maquiagem impecável e a luz do sol encontrando o ângulo exato para me transformar em uma boneca dentro dos padrões exigidos. É linda, sim, mas é um frame estático, uma pose ensaiada. A verdade é que a minha foto perfeita, aquela que verdadeiramente traduz a minha essência, é essa em que estou na rua, descabelada e rindo espontaneamente, sendo apenas eu mesma.

Quero te agradecer por me fazer sentir amada, ainda que habite em mim aquele receio silencioso de que, pessoalmente, seu olhar pudesse preferir contornos mais esbeltos ou uma feminilidade mais pronta. Talvez essa minha dúvida venha de ter crescido no interior, com o pé na terra, ou do simples fato de nunca ter tido a sorte de ser desejada com a intensidade que sempre sonhei. Mas reconheço o poder avassalador que você teve sobre mim. Nunca havia experimentado nada parecido. Foi a vulnerabilidade ao seu lado que me fez sentir, de forma quase cômica, profundamente amada e claramente rejeitada no mesmo instante. Você se assustou quando percebi, mas eu apenas me coloquei no meu lugar, sem nunca deixar de te amar.

E isso permanece. A rede social é só um recorte perfeito, e você foi o meu recorte mais bonito. Dane-se não ter sido exatamente o que o mundo desenhou: eu não olhei para a sua superfície, eu senti cada batida do seu coração. Mesmo que parte disso tenha sido uma ilusão, foi bom ser amada. Foi a história mais bonita que o destino esqueceu de continuar escrevendo. Guardo você como se o meu grande amor tivesse partido para a guerra e nos despedíssemos ali, deixando alguém que ainda me visita nos sonhos todas as noites. Sinto que essa presença sutil me acompanhará pelo resto da vida, marcada desde aquele outono, no dia 7 de abril de 2024.

Ainda te escrevo todas as noites no meu velho e amado diário. Não deveria? Independente da resposta, a verdade é que não escrevo por saudade do que fomos, e sim por gratidão ao que senti. No fundo, esse diário não é sobre você; é sobre a capacidade bonita que descobri em mim de amar sem medida, de alma limpa e coração aberto. E assim, em cada página, eu me devolvo a mim mesma.

Pedi com tanta fé por um amor de redenção que aprendi a amar à distância e a me sentir verdadeiramente amada, mesmo nas circunstâncias em que nos encontramos. Pode-se dizer que encontrei o meu amor de redenção.

Com amor, da sua passarinha. Ou melhor, Caju. Eu juro..


Publicação em: 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário