Ontem, você não foi apenas uma lembrança passageira. Não foi aquele pensamento solto que o vento traz e leva sem esforço. Eu pensei em você com a força de quem desenha cenários, idealizando cada contorno de uma vida que insiste em existir apenas no avesso do agora. Imaginei o peso do seu abraço e a paz que ele passa, enquanto, por dentro, eu lutava contra a vontade quase física de quebrar o silêncio.
Tive a urgência de abrir uma nova conversa, de ouvir sua voz e deixar a razão de lado. Mas as promessas que fiz a mim mesma pesam mais do que qualquer saudade. Existem barreiras que não foram feitas para serem saltadas, e eu aprendi que certas conexões são tão sublimes quanto arriscadas. Estar com você é flutuar em um mar calmo, sabendo que a tempestade está logo ali, sob a superfície à espera de nossos deslizes.
É um jogo de mestre, onde a lição mais difícil é entender que você é o meu destino mais bonito e, ao mesmo tempo, o meu perigo mais doce, Reconheço o seu domínio sobre os meus sentidos, mas escolho o silêncio. Porque te ter por perto é o maior dos privilégios, mas te buscar é o maior dos riscos.
Sigo aqui, guardando o que sinto em um lugar onde o mundo não alcança e onde você se faz eterno. Porque, no fundo, sabemos que a promessa de um último encontro raramente se cumpre. O "nunca" é uma palavra grande demais para nós; por enquanto, prefiro deixar o convite mudo, suspenso no silêncio que você sabe exatamente como quebrar.


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