O personagem principal da minha própria história ressurgiu. Aconteceu! Não nos esbarramos pessoalmente como eu havia projetado em minha mente, você com a sua família, eu com a minha, como dois estranhos que, tendo se amado, decidiram que o melhor era não arriscar. Mas a vida tem dessas ironias: você deu espaço para alguém te amar da forma que eu não pude, e da forma que a nossa realidade não comportou. Acontece que ela chegou muito antes, ela já estava lá, só eu fui inteiramente verdadeira nessa história, e digo mais; eu continuo sendo ridiculamente ridícula.
O esbarrão se tornou inevitável, ainda que apenas por meio de telas e distâncias. E o que aconteceu? O que dói? As costas. (para não perder meu bom humor mas o assunto é sério) No passado, falávamos sobre nos encontrar novamente e já não nos amarmos mais, como se o tempo fosse um antídoto. Mas o tempo passou e o sentimento ainda insiste em existir, teimoso, mesmo sabendo que não há lugar para ele em nossa rotina.
Dois idiotas que se amaram como acontecia no passado, sem a malícia de querer apenas o corpo ou a atenção um do outro. Ou não. Pois até aqui, eu só posso falar por mim mesma.
Nos apaixonamos por nossas vozes, nossas risadas, nossas cutucadas que só amigos próximos acessariam, ironia dizer isso de um casal que acabara de se conhecer, mesmo que despretensiosamente. Nos permitimos e somos tão idiotas que, na mesma intensidade que sabemos da nossa coragem, sabemos também do nosso medo de errar, de falhar. E se não for real? E se não for verdade? E se não for tudo isso que já tomou conta de mim, do meu pensamento e do meu próprio corpo?
Li um artigo uma vez que dizia que a paixão dura aproximadamente seis meses; passou disso, é amor. Noutro, li que amor não é um sentimento, é uma escolha. Eu escolho o amor. E num texto qualquer que acabei encontrando pela internet, diz que você só sabe se encontrou a pessoa certa se onde estiver escrito amor, puder ser substituído pelo nome dessa pessoa no seguinte contexto:
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não é invejoso, não é vaidoso, nem orgulhoso. O amor não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta." (1 Coríntios 13: 4-7)
Mas agora, vamos pular para a parte que a vida não é contrato, é fato! E o único fato que temos é: iremos morrer. Não sabemos como, nem quando. Algumas pessoas usam dessa informação para fazer coisas ruins, e nós só queríamos nos entrelaçar como sonhamos, no mais sincero sentimento que arde aqui tanto quanto aí. Ou não, pois insisto em frisar que eu falo apenas por mim.
Você pode substituir o meu nome em todos os "amores" desse versículo, porque eu sonho em conhecer teus defeitos e falar olhando em teus olhos. Ok... vamos aprender juntos e vamos passar por isso juntos. É incrível como tudo se encaixa, como tudo o que eu sonhei um dia e o medo de não ser real... como dói. Dói não ser acessível para mim! O nosso amor é diamante raro. E eu sou ridícula de idiota. Um texto explícito pra ti. Beeh!
Mas, para que essa página da história faça sentido, preciso ser honesta: sim, eu busco ser paciente e bondosa. Não sou invejosa, vaidosa ou orgulhosa. Não maltrato, não vivo em função apenas dos meus interesses, não me irrito facilmente e não guardo rancor. Não me alegro com a injustiça, mas me preencho de serenidade ao encontrar a verdade. Eu tudo sofro, tudo creio, tudo espero e tudo suporto. Bem, até certo ponto.
Você disse que leu tudo, mas tenho minhas dúvidas. Existe um texto cujo título é o seu próprio nome, e você não se deu ao trabalho de se atentar. Não o julgo; eu provavelmente me aventuraria da mesma forma, se não soubesse que... essa história foi meticulosamente criada na minha própria cabeça. Eu inventei uma versão melhor de ti mesmo. E o mais curioso? Você pode, e deve, escolher viver essa versão. Se não for por você, que seja por eles.
Repito, em voz alta e com toda a certeza: você é um rapaz de muita sorte. Ela é linda.. e eu.. eu sou passarinha. Uma passarinha vivendo com o pezinho no chão tá.
Mas, escute: não foi por acaso que você me encontrou, e certamente não foi por acaso que eu fiz por você coisas que nunca fiz por mais ninguém. Alguém precisava ser usada nessa história, e essa pessoa fui eu. No fundo, não me irrito com isso, porque entendi que você chegou até mim por um motivo específico.
Se isso aconteceu com mais alguém, que você pare. Eu perdoo toda a resistência em me falar o que realmente você vivia, ainda serei um amorzinho toda vez que você me procurar, mas pare. Eu serei a sua ponte para que tudo se alinhe, mesmo com o meu peito queimando de vontade de deixar a razão de lado e te aceitar como a minha aventura mais bonita e mais gostosa. É que foi sério demais o que aconteceu aqui. Te perdoo, ainda te amo, de forma honesta, pura e verdadeira, mas pare. Talvez a passarinha aqui possa ser o seu anjo da guarda, não sei. Mas te amo.
Como se eu fosse o seu antídoto. Talvez eu seja mesmo, e você já tenha tomado a dose do seu remédio. Me encontre em uma das prateleiras de uma livraria qualquer; o livro estará lá, autografado para você com versos da nossa própria história. O convite está feito. Pois é somente isso que você terá de mim a partir do momento que o vento me trouxe toda a verdade. Diria que estou sem palavras, mas na real, na real mesmo, são tantas as camadas, tanta coisa para dizer, porque no fundo vou considerar que você também foi o meu antídoto. Escrevi chorando, ouvindo Set Free de Noah James. Que eu tenha sido a primeira e a última. Ela merece respeito, na realidade; eles merecem e você sabe muito bem disso.
E eu acabei de tomar a última dose de você.
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