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Querida Elisabeth


A verdade não veio como uma revelação divina, mas como um clique, um pequeno movimento de dedos que eu nem queria ter feito. O meu inconsciente, esse vigia silencioso que não se deixa enganar, insistia: "procure". E, quando cedi à curiosidade, o que encontrei não foi um monstro, foi um espelho.

Descobri que habitamos os mesmos espaços digitais. Seguimos as mesmas contas, respiramos o mesmo conteúdo, temos as mesmas referências. Olhando para aquilo, uma conclusão me atingiu com a força de um soco: em qualquer outra configuração desta vida, sob qualquer outro roteiro que não fosse mediado pela omissão dele, nós poderíamos ter sido amigas.

É insano pensar nisso. Ela não sabe quem eu sou, e talvez nunca saiba. Farei de tudo para que não saiba. Por proteção, carinho e conforto, pois, como mulher, eu diria que gostaria de saber se algo assim acontecesse comigo; mas sabe a verdade? Eu sou calejada, e é por isso que tudo sofro e tudo perdoo. Como não posso dizer o mesmo dela, que me parece uma boneca, meiga e gentil, nunca quis fazer parte de uma história que machucasse outrem. Mas há verdades que fazem melhor se guardadas a sete chaves. Deixar ela viver uma vida que, por meses, imaginei com ele... mas ele escolheu nos manter em prateleiras separadas para que as peças nunca se encontrassem. Eu não sinto ódio dela; pelo contrário, sinto uma estranha familiaridade. Reconheço o gosto dela, a sensibilidade dela, porque são as mesmas coisas que ele, ironicamente, dizia admirar em mim. Estou incrédula até agora pela familiaridade em seguirmos as mesmas contas: de maquiagem, estudos, enfim.

| talvez nessa parte eu tenha exagerado, pois notei que você demonstra gostar um pouco mais de marcas de luxo do que eu; mas não deixamos de nos conectar; que louco.

Ele foi o único ponto de intersecção entre duas mulheres que, sem saber, compartilhavam um mundo. Hoje, encerro o assunto com ele porque entendi a mecânica do jogo. Mas fica, aqui, o registro para o meu próprio coração: não nos conhecemos, mas a vida nos colocou tão próximas que chega a ser poético e trágico que o elo que nos unia tenha sido, justamente, o segredo.

Que ela siga sendo a mulher que ele escolheu, e que eu siga sendo a mulher que finalmente escolheu a si mesma, livre da ilusão de que o nosso encontro era, de fato, um encontro. A vida é muito mais do que os filtros de um perfil, e a minha verdade, finalmente, não precisa mais ser escondida de ninguém.

Querida Elizabeth, escrevo este registro como quem escreve para uma confidente que o destino, ironicamente, ocultou de mim. Chamo-te assim porque, na minha mente, esse nome carrega a nobreza e a resiliência que reconheço em ti, uma verdadeira princesa que, sem saber, dividiu a mesma história, as mesmas esperanças e o mesmo silêncio que eu.

Elizabeth não é o seu nome, mas poderia. Você personifica a elegância de quem escolhe a dignidade acima do conflito, e a força de quem constrói o seu mundo sem precisar destruir o alheio. Talvez, em outro tempo e sob um roteiro onde a verdade não fosse uma estranha, teríamos sido as melhores amigas que a vida poderia ter unido. Mas, por enquanto, guardo essa percepção como um segredo meu.

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