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Entre linhas, alguém.


Não sou artista, embora tenha minhas tentativas de transformar sentimentos em palavras. Também ainda não sou uma escritora publicada. Tenho um livro infantojuvenil guardado entre projetos, ideias, páginas escritas e outras tantas que ainda esperam por mim. Um dia, talvez, ele encontre seu caminho até as mãos de alguém. Enquanto esse dia não chega, escrevo no meu próprio universo. Onde alguns nomes não aparecem, mas certas histórias são reconhecidas por quem deveria reconhecê-las.

Descobri que existe uma espécie de eternidade nas coisas que escrevemos. Algumas pessoas passam pela nossa vida e seguem seu caminho. Outras permanecem de um jeito curioso: escondidas em uma frase, disfarçadas em um personagem, guardadas em uma lembrança que, de vez em quando, pede para ser escrita. E então calhou com um verso que li dia desses. "Antes de morrer, experimente o amor de um escritor, de um poeta ou de um pintor. Se você tiver a sorte de ser a musa de um artista, ele te fará imortal" No meu caso: inesquecível.

Talvez, ele nunca saiba o tamanho do espaço que ocupa em minhas palavras. Talvez saiba perfeitamente. E tudo bem. Afinal, nem toda carta precisa de assinatura, nem toda declaração precisa ser compreendida por todos. Às vezes, basta que uma única pessoa leia e, por um instante, reconheça a si mesma. Algumas pessoas ganharam o privilégio de não morrer completamente dentro de mim. E, enquanto eu tiver palavras, haverá um lugar onde elas poderão continuar existindo. Seria eu, uma artista? 

Publicação em: 2026

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