POST 1

POST 1
POST 1

INSTAGRAM

INSTAGRAM
INSTAGRAM

YOUTUBE

YOUTUBE
YOUTUBE

Meu eu professora

 A docência é um ofício de presença. 

Exige corpo, voz e, acima de tudo, uma disposição diária para o encontro com o imprevisível. Recentemente, vivenciei um daqueles episódios que testam não apenas a paciência de quem ensina, mas a própria humanidade do educador: levei alguns tapas de um aluno. Não foi um caso isolado; infelizmente, já me ocorreu episódios semelhantes em outros momentos da minha caminhada, com diferentes estudantes.


Em um primeiro momento, a reação natural do mundo moderno é o endurecimento, a indignação estéril ou o desabafo amargo. No entanto, o olhar pedagógico precisa ir além da superfície do gesto. Aquela agressão física não era sobre mim; era o sintoma visível de um esgotamento invisível. Vivenciamos uma crise estrutural no afeto e no cuidado. Vejo ao meu redor uma legião de profissionais da educação exaustos, sobrecarregados e desencantados. É uma dor legítima, viva e urgente. Mas há uma verdade incômoda que precisamos ter a coragem de encarar: se nós, adultos, estamos exaustos, as crianças estão ainda mais.

As crianças de hoje carregam o peso das incertezas, da ausência de escuta e de um mundo que exige delas um dinamismo para o qual ainda não têm maturidade emocional. O comportamento disruptivo na sala de aula nada mais é do que um pedido de socorro traduzido em linguagem imperfeita.

E é aqui que entra a decisão mais honesta que um profissional pode tomar. Estar na sala de aula exige uma coragem quase poética e uma decisão que não aceita o piloto automático. Se a sua chama apagou, se o encanto deu lugar ao ressentimento contínuo, a sugestão mais humana e respeitosa que posso oferecer é simples: mude.

Mudar de profissão não é um ato de covardia ou fracasso; é um ato de responsabilidade e autocuidado. Insistir em permanecer em um espaço de formação quando já não se tem nada de afeto para oferecer adoece o professor e desampara a criança.

A educação precisa de quem ainda tem forças para sustentá-la com dignidade, empatia e firmeza. Para os que ficam, que haja coragem para transformar o cansaço em acolhimento. Para os que partem, que haja a sabedoria de reconhecer que recomeçar em outro caminho também é uma forma de sabedoria.

Com carinho, Anne.
Publicação em: 2026

5 comentários:

  1. Kétia Simões Marques15 de agosto de 2026 às 19:42

    Entendo perfeitamente o que está sentindo, e o peso fica maior ainda por saber que de todo aquele colégio você é a única que estuda as análises do comportamento, querendo ou não o peso fica em cima de você, então se mais pessoas estudassem como você estuda, esse peso seria dividido. E quanto aos tapas, eu também ja levei alguns, por isso sai dessa profissão. Não dei conta. Você não me conhece mas todos falam muito bem sobre a sua conduto e perfil. Não sei ainda se apenas você em ABA, mas uma vez foi pauta esse assunto e fiquei assustada de saber que daquela imensidão, só você estava se especializando. Que Deus proteja seus passos e continue iluminando o seu profissional.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kétia Simões Marques15 de agosto de 2026 às 19:44

      CONDUTA*

      Excluir
    2. Amiga onde atualmente eu trabalho existem muitos profissionais qualificados. Cada um em seu seguimento. As exigências ABA estão aflorando agora. Obviamente quem tem essa PÓS passa na frente. Mas são extremamente competentes. Inclusive é o colégio que eu indico e que colocarei os meus filhos.

      Excluir
  2. Amiga forças viu. Tem que gostar muuuuito.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E eu gosto viu. Não é fácil. Talvez eu traga mais recortes não tão legais da minha profissão para as pessoas pararem de achar que ser professor é lindo, maravilhoso, de duas férias ao ano. Tem os contras que ngm comenta. Mas ainda amo, pois eu nasci para ser professora.

      Excluir