Essa foi a versão mais fofa que criamos juntas: eu e meu coração de gigante,
era assim que eu me denominava quando criança. Dentro do meu próprio mundo paralelo.
Já pintei telas... Nenhuma delas está mais comigo, mas lembro-me perfeitamente de cada uma. Uma, em específico, ficou com a minha irmã: é uma menina sentada numa cadeira, numa tela bem grande, a maior que já pintei. É uma obra curiosa, de traços grossos e cores nada suaves (se um dia eu tiver acesso a ela novamente, faço questão de compartilhar com vocês). Mas, hoje, o que eu queria mesmo era mostrar a minha pintura com o Gatito Tito.
Há três anos, compartilhei pela primeira vez a história da Caju com meus alunos. Quantas versões do Tito, do Sebastião e até da Dona Mira surgiram ali! Personagens que nasceram do fundo da minha alma e que repousavam nas páginas amareladas do meu velho diário de infância.
Ao finalizar este livro, sinto que uma parte de mim ganha asas. A Caju, a Paraná, a Dona Mira, o Gatito Tito... Tantos personagens que nasceram num momento de criação, para não dizer de dor, e que foram, em verdade, o sustento que me trouxe até aqui.
Ao compartilhar cada linha, sinto meu ser pronto para voar. É como se a Caju tivesse cumprido sua missão. Sinto-me leve. Leve, mas confesso que um pouco ciumenta por entregar ao mundo meus personagens mais preciosos. Mas com a minha história eu desejo do fundo do meu coração: que nenhuma criança deixe apagar a luz que carrega no peito, e que nenhum adulto sofra tanto a ponto de silenciar sua criança interior.
Essa é a Caju. E tudo bem: ela sou eu, e eu sou ela. Mas, ao libertar esse texto escrito há tantos anos, sinto como se a minha menina tivesse crescido e estivesse, finalmente, deixando a casa dos pais. É... a Caju cresceu. Sinto um orgulho imenso por ela, por mim, por nós. É difícil traduzir em palavras a imensidão dos sentimentos que carrego ao abrir essa história para vocês.
Ah, ela ainda não está nas livrarias! Acreditem ou não, segue no carinho do processo de revisão. Mas já está a coisa mais linda. Essa é a Caju com seu Gatito Tito, dois seres que existiram de verdade no meu passado. O Neguinho, meu outro gatinho, chegou um pouco depois e já faz parte de uma próxima jornada da Caju. Essa nova aventura ainda não foi para o papel, mas vive intocada nas minhas memórias. Quem sabe, se este primeiro voo der certo, não teremos uma sequência?
Mas, assim como o primeiro amor, a primeira árvore plantada e o primeiro filho... eu nunca me esquecerei do meu primeiro livro, gerado e escrito aos meus 8 anos de idade. E assim, deixo a Caju voar em direção a vocês. Com as asas que ela própria me deu, com o afeto de quem lembra exatamente de onde veio e com a certeza de que essa menina de 8 anos sempre estará viva em mim. Que ela encontre um pedacinho de lar no coração de cada um que ler.
Com carinho, agora quem vos fala: Anne.



Vem caaaaa Juuuuu hhahahah amiga, eu ainda tenho o quadro do Tito. Vou escanear (sei la se é assim) e vou te mandar. Nós pintamos o Tito com o Zezinn, lembra do zezinn? zeezinn bonitinn.
ResponderExcluirPaaaaaraaaná! hahaha amo você pequena. Zezinn morreu na cerca daquele malvado da horta :( O Tito foi o nosso companheiro de longa data rs' Zezinn bonitinn foi guerreiro coitado. Mas chegou quase próximo do neguinho, mais ou menos com os nossos 10 anos. O Tito chegou aos 7 e eu consegui convencer a minha mãe ficar com ele. Lembra da loucura que foi esconder o Tito? kkkkkkkkk Paraná Paranáá! Nos divertimos muuuuuuuuito.
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