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Se a vida é simples, do que eu tenho medo?

Em junho de 1942, Anne ganhava o seu primeiro e único diário. Após dezembro daquele mesmo ano, passou a expressar suas escritas em outro caderno e até em folhas avulsas, porque o papel acabara. Era descrita como uma menina expressiva e elegante, de personalidade extrovertida e tagarela, além de apresentar traços de observadora e inteligente — um ser humano temperamental e intenso, como se fossem duas pessoinhas em uma só. — Esse é o meu ponto de vista, e tudo bem se o seu não for.

Quando a conheci, há sete anos eu já escrevia as sensações da minha própria realidade. Criava versões de mim mesma para suportar viver dentro da minha própria mente e, confesso, era mágico: por instantes, eu me esquecia dos abusos e da falta de afeto. Esquecia das crises que presenciei, nas quais adulto nenhum foi capaz de me proteger — e cresci. Aos 15 anos, li pela primeira vez O Diário de Anne Frank e ali eu me conectei. Não apenas pela semelhança do nome ou pela proximidade das nossas datas de aniversário, o dela em junho, o meu também.. mas pela forma como escrevíamos. Cheguei a pesquisar sobre a espiritualidade para entender por que nos conectamos tanto com alguém de quem pouco sabemos e que nunca vimos pessoalmente. Cada linha ia me conectando cada vez mais e o final... bom, o final foi trágico, e o que restou foram as páginas de um diário inacabado.

Hoje, reli um dos meus diários — o mais triste, talvez. Ali já não carrego tanta ficção, pois estava crescida e passei a usá-lo para desabafar, dos 15 aos 21 anos. Mas, diante de tudo isso, eu verdadeiramente gostaria de compartilhar que, antes de qualquer caractere ser mal interpretado, existe vida aqui. Quando as pessoas me aplaudem, eu me escondo; me fecho no meu casulo como sinônimo de proteção. A escrita é o que de fato me salvou todo esse tempo e, quando me permito compartilhar uma brecha de uma leitura tão sensível, não significa que quero comentários. Eu só obedeci ao que o Espírito Santo tocou em meu coração: pegue seu diário e leia, página por página, para não se esquecer de onde você veio, para onde você está indo e o quanto Deus é misericordioso. Não cai uma folha da árvore que não seja pela vontade de Deus.

Não sei onde li uma vez, mas faz total sentido pra mim. — Eu tenho medos bobos e coragens absurdas. Até que virou o meu mantra. rs' Enfim, queria que as pessoas tivessem a sensibilidade do que é viver o agora, como é bom respirar, como é bom abraços demorados, como é bom amar e ser correspondida e como é bom ter com quem conversar e se expressar, seja por meio da escrita, do canto, dança, da arte e principalmente do amor. Ninguém tem o direito de tirar isso de você, o brilho nos olhos e a sensação de que, apesar de tudo, estar viva ainda é a maior das poesias.

Essa narrativa eu já vivencio: me blindo e acho graça de todos os meus defeitos. Só queria que você também sentisse a importância do agora e não gastasse tanta energia e do seu precioso tempo se alimentando de tristezas, sentimentos ruins e decepções. Que você possa se blindar, ver a vida com a graça que ela carrega, mesmo em meio às tempestades.

Sabe uma coisa que eu sempre compartilho com os meus alunos e suas famílias? O cérebro muda por repetição e não por intenção. Isso significa que você pode acordar com a intenção de ser mais dedicado à academia, com a intenção de aprender matemática ou com a intenção de ler mais livros por ano, mas se você não colocar esse objetivo na sua lista de repetição, sinto muito dizer, a possibilidade de você desistir será grande. Então, seja repetitivo com aquilo que alimenta a sua alma positivamente, tá? Isso é conselho de vó, e eu nem sei por que estou escrevendo tudo isso hoje. Mas é um sincero conselho.

E, como sempre digo: se esta for a minha última vez tateando a vida, que a minha passagem tenha sido semente de algo bom na vida de alguém.

Se a vida é simples, do que você tem medo?


Publicação em: 2026

11 comentários:

  1. Eu não a conheço e não gosto de ler, mas um tempo atrás apareceu o seu blog para mim e eu comecei a ler, mas faz tempo isso. E hoje a minha esposa me mostrou esse texto, curioso é que eu não tinha mostrado seu bloh pra ela, ele também apareceu pra ela de alguma forma, mas eu queria te agradecer pelas palavras. Estavamos pedindo em oração uma palavra e foi exatamente com as suas que encontramos conforto. Quando disse que foi tocada pelo espírito santo saiba que nós também. Que jesus a abençoe sempre.

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    1. Olá! Fico feliz com o feedback, espero contribuir nem que seja um tiquinho na vida das pessoas, e lembre-se, Deus é misericordioso. Que você e sua esposa recebem benção, proteção e esperança. Mande um abraço a ela.

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  2. This touched me in ways I can’t fully put into words. The way you speak about writing not just as a habit, but as a sanctuary that kept you safe through the darkest times... it’s so raw and deeply moving. Your connection to Anne Frank and the realization that our words carry life far beyond our pain is a beautiful reminder of why we write in the first place. Thank you for sharing a piece of your heart with us today. Keep holding onto that light.

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    1. Tradução do seu comentário em português para os meus leitores: "Isso me tocou de formas que nem consigo colocar em palavras. A forma como você fala sobre a escrita não apenas como um hábito, mas como um santuário que te manteve a salvo nos momentos mais sombrios... é tão visceral e profundamente emocionante. Sua conexão com Anne Frank e a percepção de que nossas palavras carregam vida muito além da nossa dor é um lembrete lindo do porquê escrevemos. Obrigada por compartilhar um pedaço do seu coração conosco hoje. Continue se apegando a essa luz."

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    2. And nowwww, my Answer. "I’ve never been so touched by such a profound comment. I used Google Translate, so there might be a few errors, but I just wanted to express my sincere gratitude." thaaaaaankssssssssssss

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  3. What a breathtakingly honest piece of writing. That final line about 'leaving a trail of good things wherever I pass' left me sitting in quiet reflection for a long time. It takes so much courage to turn past survival into present-day grace. You have such a distinct, poetic voice, don't ever let anyone dull that spark Anne. x'

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    1. Tradução do seu comentário para os meus leitores: "Que texto incrivelmente honesto. Aquela linha final sobre 'deixar um rastro de coisas boas por onde passar' me deixou em uma reflexão silenciosa por um bom tempo. É preciso muita coragem para transformar a sobrevivência do passado na graça do presente. Você tem uma voz poética tão única, nunca deixe ninguém apagar essa faísca."

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    2. And nowwww, my Answer. "Well, my friend, first of all, thank you for visiting my blog. And indeed, it takes a lot of courage, but sometimes I find myself on the edge of the abyss too, you know? But regardless of anything, we can't 'drop the shuttlecock'—or as you might say, we can't give up or drop the ball. By the way, peteca is a traditional Indigenous game here in Brazil, which is where the phrase comes from. The rule is to never let it hit the ground, and that's just how life is. Come back anytime!" thaaaaaankssssssssssssssssssssss

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  4. Amiga você é fofa.

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  5. Se a vida é simples, do que eu tenho medo? :(

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