As pessoas que tiveram acesso a você não faziam ideia do quão inacessível você é para outras pessoas, até que elas se tornaram essas outras pessoas. As pessoas talvez nunca tenham entendido o quanto esse acesso era raro. Elas conheceram toda a diversão disponível: aquela que respondia, acolhia, perdoava, explicava... e acabaram confundindo proximidade com facilidade. Acharam que você era acessível para todo mundo quando, na verdade, estavam diante de uma porta que quase não se abre para mais ninguém.
Mas você confiou. O problema é que algumas dessas pessoas acham que a constância costuma esconder o valor. Quando alguém está sempre presente, a presença parece não ser mais um privilégio e passa a ser tratada como obrigação.
Foto registrada pelo fotógrafo Alexandre Sampaio de Mogi Guaçu - SP
Até que um dia — um belo dia —, essas pessoas se tornam aquelas 'outras pessoas'. E elas descobrem que você não responde mais da mesma forma, não oferece mais a mesma intimidade e não entrega mais para qualquer um os bastidores da tua alma. Aquilo que parecia ser apenas o teu jeito, na verdade, era um voto intenso e silencioso de confiança. Daí, nesse momento, essas pessoas percebem que você nunca foi fácil de alcançar; elas apenas estavam perto demais para entender a distância que você mantinha do resto do mundo para ficar perto delas.
Existem perdas que não acontecem quando alguém vai embora. Acontecem quando alguém permanece vivo, próximo e existente, mas já não permite que você chegue ao lugar onde um dia teve morada. Porque perder o acesso a alguém é uma forma muito particular de ausência: a pessoa continua ali, mas a versão dela que te amava não está mais disponível. Exceto para a pessoa que eu juro até hoje ter sido o meu encontro de almas — que eu nunca poderei tocar. Texto de Davi Oliveira, exceto a parte do encontro de almas. >.<



Nenhum comentário:
Postar um comentário