INÍCIO

INÍCIO
INÍCIO

INSTAGRAM

INSTAGRAM
INSTAGRAM

YOUTUBE

YOUTUBE
YOUTUBE

Depois dele.

 








Eu já perdi muita coisa nessa vida, mas em cada perda, recebi a recompensa de algo que eu não esperava. Ao perder o meu próprio filho, ganhei a humanidade de olhar para um problema, perceber que ele não faz sentido para mim e, simplesmente, me resguardar, ficar no meu canto, quieta.

Ganhei a sensibilidade de entender que tudo o que vem a mim é meu. Se é um problema, é meu; se é uma felicidade, é minha. Não fico carregando rancor ou tristeza desnecessária. Seria hipócrita dizer que eu não gostaria que a vida fosse estritamente perfeita, mas aprendi que o meu lugar é meu, e de mais ninguém. Não vou atravessar um espaço que não é meu, nem invadir o que não me pertence.

Sinto muito que nem todas as pessoas consigam ter essa percepção de que a verdade é o caminho mais fácil e bonito que existe. Falar a verdade não significa deixar o seu sentimento de lado; é ter embasamento no que é correto. Às vezes, a gente erra, não falo de erros brutais ou ilícitos, mas de sentimentos. A diferença é que hoje eu entendo a minha responsabilidade. A verdade traz conforto a longo prazo. Pode ser que, de início, não fiquem satisfeitos com o meu posicionamento, mas se ele é verdadeiro e carrega maturidade, é o que vale a pena.

Antes de ter o meu filho, eu vivia para agradar os outros. Falava o que queriam ouvir, não sabia dizer "não" e me machucava muito. Depois dele, entendi que está tudo bem falhar. Eu só não vou ser a causadora deliberada da dor alheia. E se, porventura, eu errar, assumo todas as consequências.

Mas um conselho de quem atravessou o fogo: não minta para alguém que perdeu pais, irmãos ou, principalmente, filhos. Quem perde tudo (como eu que perdi os três) tem uma percepção sobre a vida que não admite mais o falso. A gente aprendeu, pela dor, que a vida é curta demais para não ser vivida com a alma limpa e a verdade no centro de tudo.

Alguns admiram a minha coragem, outros me consideram maluquinha. Confesso que sou todas as versões que moram no coração de cada uma das pessoas que passaram por minha vida. Chata, maluquinha, brincalhona, feia, trabalhadeira, passarinha, delicada, bruta, charmosa, brava, intensa, mas principalmente: verdadeira. Não minta para ninguém, mas se tiver de mentir; escolha não mentir para alguém que já perdeu tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário