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Um dia estava tudo ali, no outro... nada.

Tenho pensado muito em previsibilidade. Sobre o quanto isso é essencial para mim, ainda que, por muito tempo, eu não soubesse nomear. Existe uma característica muito forte na minha personalidade: quando alguém não é claro comigo, eu me afasto. Não por frieza, não por orgulho - mas por proteção. A falta de clareza sempre me machucou mais do que qualquer verdade dura. Seja no trabalho, relacionamentos amorosos, amizades.. em tudo. 

Desde cedo, eu nunca tive as coisas muito claras. As pessoas simplesmente iam. Sem aviso, sem conversa, sem fechamento. Sempre me colocando em uma posição para trás, sem explicação. Um dia estava tudo ali, no outro... nada. Como se eu não merecesse uma despedida, um motivo, uma palavra. 

E talvez por isso hoje, eu funcione assim: se alguém chega em mim e diz (eu não te amo mais, não gosto mais de você, não quero continuar). Eu aceito. Respeito e não insisto, não persigo, não incomodo. Por mais que doa, aquela decisão é do outro, e eu sei respeitar os limites. Bem como se eu não me sentir amada o suficiente a ponto de ficar, vou-me embora. E quando a pessoa não diz nada e passa a me tratar com indiferença, a minha reação é a mesma: eu vou embora. Porque é muito duro ter que exigir o mínimo. O mínimo de olhar, o mínimo de toque, o mínimo de conversa. Então, não gostar ou não dizer nada, para mim, acaba sendo a mesma coisa.

Um sentimento que me incomoda profundamente é pena. Esse é o pior sentimento que alguém poderia sentir por outro ser humano, no sentido: estou com ela por pena, tenho dó. Ahhhh não. Isso não. É horrível e no mínimo RIDÍCULO. Como se as pessoas fossem frágeis demais para ouvir a verdade - ok! estou falando sobre mim. Pode sim existir pessoas que não suportam a verdade, entre tanto, toda via - eu sempre deixo claro desde o inicio. Sinceridade por mais que doa, sempre será minha preferência. E cá entre nós, deveria ser essencial para todos. Sem joguinhos, sem rodeios; é isso e pronto.

Quando eu olho para trás, eu entendo de onde vem isso. Me pai foi embora assim. Minha mãe me deixou assim. Sem avisos, com mentiras, pontas soltas. Eles simplesmente desapareceram. Sem qualquer consideração afetiva.

E talvez seja por isso que, hoje, a imprevisibilidade me canse tanto, Porque eu já vivi demais sem chão.

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