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Passagem

Eu sempre senti que não iria embora muito tarde. E, de fato, não irei. Para mim, ir embora tarde é quando ninguém mais te suporta. Quando você incomoda tanto que as pessoas mal veem a hora de você sair da festa e ir embora para casa. Não falo de festas. Nem de incômodos.

Falo da vida. Essa que passa depressa.

E é sobre ela que penso: eu não irei embora muito tarde. Isso martela na minha cabeça desde muito pititica. E, para compensar a pressa em viver, eu escolhi ser intensa. Intensa no amor. Na fé. Na espiritualidade. Na atenção em exagero. Nos abraços apertados. No cheiro que fica com vontade de ficar. E assim eu vou vivendo. Porque eu sou passagem. E, logo logo, vou-me embora.

Amo-te em silêncio

Eu não sei quanto tempo ainda me resta. Ninguém sabe. Mas gostaria que você soubesse. Te escrevi algumas vezes. Muitas. Cartas que nunca enviei. Não enviei por respeito: às oportunidades que você me deu, às quais fiz questão de rejeitar porque era nova demais para compreender a dimensão do seu amor por mim; e também por respeito à vida que você construiu sem mim. Vida essa que, de certa forma, me deixa feliz.

Você foi uma das pessoas mais incríveis que já conheci em toda minha vida. E eu queria que soubesse disso antes que eu partisse. No ponto de ônibus, deixei escapar o primeiro "eu te amo". Mas a verdade é que o "eu te amo" de agora é muito mais profundo, mais consciente e carregado de verdades. Ainda assim, jamais me arriscaria a te entregar esta carta, entre todas as outras que já te escrevi.

Porque eu amo-te no silêncio.

Voa Lucas, voa.


Tem gente que chega, mas não fica. Chega leve, promete ventania, e de repente vira brisa. Diz que quer, mas não quer tanto assim. Quer o fácil, quer quando lhe sobra tempo e não por todo tempo. Quer quando o silêncio pesa. Mas quem quer de verdade não aparece só quando a saudade aperta.

Eu aprendi que o amor precisa de coragem. Coragem para não fugir quando o sentimento assusta. 

Ele quis minha presença, não a minha alma. Quis o toque, não o laço. E quando percebeu que amar exige entrega, preferiu se esconder atrás de sua própria insignificância. E não que eu fosse diferente disso, pois na verdade - todos somos!

Mas com o passar do tempo e de todas as experiências que eu pássaro livre que sou, me permiti e me permito ter, sei que nem todo mundo nasceu para voar. Alguns se acostumam com a gaiola, com o chão seguro, com medo do vento. E tudo bem. Se cair enquanto voa machuca, (pois eu já cai algumas vezes), eu imagino que perceber tarde demais que nunca voou, possa machucar ainda mais.

Não volte mais em outubro, com carinho.. passarinha.